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A atitude teosófica

 

 

 

A Fraternidade

Paulo Rogério da Motta

(Baseado em texto de C. W. Leadbeater)

 

"A fraternidade humana é uma fato da natureza, e os que a negam são aqueles que não a percebem, porque fecham os olhos para realidades que não desejam conhecer."

A fraternidade aqui dita é relacionada à comunhão e em uma visão voltado ao bem maior em qualquer situação. O autor cita que a fraternidade não é sinônimo de igualdade, pois vivemos permeados por diferenças, sejam elas de sexo, idade ou qualquer outra. A fraternidade consiste então, e também, em aceitar as diferenças e conviver com elas num processo de aceitação originada na empatia e no propósito maior de contribuir com a evolução, não somente sua, mas, principalmente, do "todo".

A Atitude Teosófica consiste na fraternidade e, mesmo o caminho de evolução espiritual sendo particular, uma das qualidades para aqueles que buscam a evolução espiritual é o altruísmo. O estudante da Teosofia ou de qualquer caminho trilhado com o propósito de evoluir espiritualmente será infrutífero se for movido com a atitude egoísta de conquistar "um céu somente para si". Leadbeater nos diz que: "fraternidade quer dizer comunhão de interesse, mas não comunhão de interesses. Se uma família é rica, todos os seus membros beneficiam-se; se é pobre todos sofrem". Há questões que se refletirmos despertarão um entendimento maior da fraternidade aqui expressada. Talvez não tenhamos respostas para estes questionamentos que se seguem, mas o próprio ato de refletir pode fazer com que sementes da sabedoria sejam despertadas para um dia germinarem. Algumas propostas para reflexão:

-Se o caminho da evolução espiritual fosse para ser trilhado sozinho por que viveríamos num mundo repleto de outras vidas e diferenças?

-Como amar ou ser amado se não houver o outro?

O caminho de evolução espiritual não é um caminho de Narciso. Não há como se evoluir espiritualmente se nosso objeto de amor e fascinação for a nossa imagem refletida no espelho.

Leadbeater: Cada povo tem suas próprias peculiaridades, assim como cada indivíduo. Se quisermos cooperar no grande trabalho, temos de aprender a ser tolerantes, a reconhecê-las e entendê-las, não desprezando nem permitindo que nos irritem. [...] Talvez sejamos poucos; contudo, se no espaço de um ano, cada um encontrar outros mil, no mínimo seremos um centro ajudando nossa própria nação a ver o bem nos outros; um pequeno centro, é verdade, mas capaz de suavizar o caminho e facilitar a união. [...] Muitas pessoas lutam cruelmente contra o que está correto... Suas personalidades ainda estão exaltadas e, por isso, ofendem-se e desequilibram-se diante de algum fato novo. [...] Para estarmos à altura da nossa oportunidade, temos de aparar nossas arestas e abandonar nossas personalidades complicadas, encorajando os bons sentimentos de todas as formas possíveis. Ao ouvir algo desfavorável a alguém, devemos imediatamente argumentar do ponto de vista do outro, e isto com relação tanto a nações quanto a indivíduos. Compensem o mal falando do bem, não para dar uma falsa impressão, mas para dar a melhor impressão possível dos fatos. Temos o dever de suavizar o trabalho, neutralizando o atrito. Nosso objetivo é formar um todo unido em uma Sociedade que ajuda a harmonizar o mundo externo".

Olhe para os lados e perceba que você não está sozinho e que há muitos que "são" iguais a você, mas, que no momento, "estão" diferentes. Olhe para baixo e perceba que você já evoluiu e pode ajudar. Olhe para cima e perceba que muito há a se evoluir e quem está acima olha para baixo querendo lhe ajudar e vendo-o como um igual. Este é o sentido da fraternidade. O autor diz que estamos numa grande obra, mas que não devemos procurar desculpas e nem ser negligentes com as oportunidades menores de nossa vida diária. Afinal, essa vida diária é nosso campo de ação para a nossa evolução. É importante perceber que o caminho tão desejosamente buscado da evolução espiritual já existe e que você já está nele. Este caminho é a sua vida. O caminho já existe, o que temos a fazer é caminhar, e da melhor maneira possível.

 

Referência bibliográfica:

LEADBEATER, C. W. A Vida Interna. Cap. 3. Editora Teosófica. Brasília, 1996. pág. 107 a 112.