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Nascer para sonhar 

Um romance de Paulo Rogério da Motta

O cotidiano é repleto de magia e encanto quando o simbolismo que há em tudo é percebido. A sincronicidade, o mítico e o sagrado são ingredientes da história que se inicia com um sonho onírico e culmina com a realização do sonho como aspiração da alma.

Traduzindo o Euniverso

 

 

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Eunivers

Em cada um... um universo

 Mitos, sonhos

e símbolos


A mitologia do corpo

 

Stanley Keleman, o criador da Psicologia Formativa, diz que “a imagem mítica é o corpo falando a si mesmo de si mesmo”. Por esta abordagem corpo e mente não se dissociam. O nosso corpo é a nossa história e a compreensão de nossas experiências se dá quando aprendemos com os mitos. Nosso corpo é um registro e um processo vivo de quem somos e do que vivemos que continuamente se organiza e corporifica tudo o que experienciamos.

A origem da vida no imenso oceano, a evolução com o surgimento dos quadrúpedes e o aparecimento do homem bípede é o roteiro da nossa trajetória também com o útero sendo o oceano primordial, com a fase quadrúpede sendo os anos iniciais de nossa vida quando engatinhamos como bebês e a evolução com o aparecimento do homem é quando através do aprendizado aprendemos a caminhar com nossas pernas podendo a partir daí fazer escolhas, direcionar nossos caminhos e fazer uso do nosso livre arbítrio. A nossa trajetória inserida em nosso soma. Keleman no livro “Mito e Corpo, uma conversa com Joseph Campbell” diz que “a serpente da mitologia é a medula espinhal, e o bico da ponte do tronco cerebral, sua cabeça. O córtex é o lótus de mil pétalas, a coroa de espinhos”.

O ser humano nunca aceitou o desconhecido, sempre procurou dar um fundamento ao que não entendia. As sagas de heróis, a cosmologia e até mesmo fundamentos de religiões são formas de lidar com o desconhecido e de associar o mundo externo ao seu mundo interno. O mito seria essa conexão do interno ao externo e a fonte dos mitos está em nós e está, também, corporificada em nós. Todas essas histórias estão associadas ao nosso self corporal. Nossos processos emocionais e somáticos estão sempre em coerência, a mente e o corpo não se dissociam, vida subjetiva e vida somática estão e são unificadas. As histórias que contamos são expressões de nós mesmos, o mito é a expressão da nossa voz interna e o nosso corpo é o livro onde acontece e é registrada.

Na Grécia antiga o panteão de deuses representava padrões de comportamento do homem, eram seres poderosos antropomórficos que regiam características da natureza humana e da natureza em si. Na astrologia encontramos associação dos signos com o corpo humano. Vemos nos mitos a associação das forças naturais com a natureza humana, os deuses como representações da natureza humana, e toda essa necessidade de associar tudo com o que somos é a força natural da mitologia que há em nós, é a nossa voz interna fazendo de nós mesmos a referência de tudo. O homem para compreender precisa associar, ter referência e não há melhor referência para o homem do que ele mesmo. Ao associar o desconhecido consigo mesmo o homem atende ao apelo da sua mitologia interna e qualquer história é uma história que também é vivida em si mesmo, o corpo é o próprio universo e nele estão os deuses e as forças da natureza.