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Em cada um... um universo

 Psicologia


O Pragmatismo de William James e a religiosidade

 

Segundo William James “o pragmatismo pode ser um harmonizador feliz dos processos empíricos de pensamentos com os reclamos mais religiosos dos seres humanos”.

A religiosidade para ser exercida plenamente tem que, em muitas vezes, desdenhar o empirismo. Fé e empirismo, por vezes, ficam em posições opostas. Diante do paradoxo imposto cito James:

 

“Se as idéias teológicas provam que têm valor para a vida concreta, são verdadeiras, pois o pragmatismo as aceita, no sentido de serem boas para tanto. O quanto são verdadeiras dependerá inteiramente de suas relações com as demais verdades, que têm, também, de ser reconhecidas”.

 

Antes de se elaborar o conceito de James, precisamos antes enunciar o seu conceito de verdade:

 

“A verdade é uma espécie de bem, e não, como usualmente se supõe, uma categoria de bem, e coordenada com este. Verdadeiro é o nome do que quer que prove ser bom no sentido da crença, e bom, também, por razões fundamentadas e definitivas”.

 

James parte do conceito de que a verdade é uma variação do bem, mas sim que a verdade é o bem em si e que quando fundamentada e definida na razão é uma verdade que encontra sustentação, mesmo como crença. Quando tal acontece é uma verdade que podemos e devemos acreditar, mas quantas vezes não colocamos como verdade o que queremos, o que nos convém acreditar? Quando uma verdade aceita por nós colide com outras verdades nossas, há que se avaliar a sua real veracidade. A crença infundada quando rotulada de verdade passa a necessitar de preservação e em sua defesa acaba por negar o que a contradiga.

No pragmatismo de James, conforme ele mesmo diz: “alarga o campo de procura de Deus” e mais do que o racionalismo apega-se à lógica e ao empíreo sem, no entanto, conformar-se com uma verdade apenas conveniente. James:

 

“O pragmatismo levará em conta as experiências místicas se tiverem conseqüências práticas. Acolherá a um Deus que viva no âmago mesmo do fato privado – se esse lhe parecer um lugar provável para encontrá-lo”.

 

Negar a existência do Absoluto é tão infundado como provar a sua existência, assim como a verdade que é o bem em si, também Deus é Deus em si. Prová-lo experimentalmente ou dentro de um racionalismo puro é impossível, porém presenciar a sua existência é um pragmatismo em si mesmo. Também como é infundado moldar Deus dentro de uma verdade que nos convém fazendo com que a nossa verdade de Deus negue as demais verdades que são fundamentadas em nossas experiências.

O pragmatismo não procura ser uma negação de Deus e nem sequer uma afirmação, procura ser somente a ação de vivenciar e por esta ação reconhecermos a verdade. O pragmatismo, em minha visão elaborada diante dos conceitos de William James, vem a ser uma forma de não sermos cegos por não querermos enxergar (como acontece com o racionalismo puro) e de não sermos alguém com uma fé cega que nega verdades que já existem em nós. Na visão de James assim são as relações do pragmatismo com a religião:

 

“Vê-se desde já, porém, quão democrático é. Suas maneiras são tão várias e flexíveis, seus recursos tão ricos e intermináveis, e suas conclusões são tão amigáveis quanto as da natureza mãe”.

(Paulo Rogério da Motta)

13/05/2006

Bibliografia:

James, W. (1974). Pragmatismo - Textos Selecionados. Segunda Conferência: O que significa o pragmatismo. Os Pensadores vol. XL. São Paulo: Abril S.A.