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Em cada um... um universo

 Psicologia


O Funcionalismo

 

Escola de psicologia que enfatiza os atos ou processos mentais como objeto de estudo da psicologia, em contraste com as escolas estruturalistas, que destacam os conteúdos conscientes. O ponto de vista funcional sustentou que a mente deve ser estudada em função de sua utilidade para o organismo,tendo em conta a adaptação ao seu meio. Por outras palavras, o estudo definirá "para que é" a mente e não "o que é" a mente. Como escola, o funcionalismo teve um desenvolvimento menor na Europa do que nos Estados Unidos. Contudo, na Alemanha e na Áustria, a Psicologia do Ato, que teve em Franz Brentano um dos seus epígonos, foi precursora do funcionalismo em sua oposição ao Estruturalismo de Wundt. Nos Estados Unidos, William James assumiu vigorosa posição funcionalista ao criticar os métodos e propósitos estruturalistas. John Dewey adotou o ponto de vista de James e, ao desenvolver o seu sistema de psicologia, converteu-se no fundador oficial do Funcionalismo como um movimento definido na psicologia americana. Num artigo de 1896 sobre o arco reflexo, Dewey anunciou que o estudo do organismo era o objeto apropriado da psicologia. O funcionalismo tornou-se uma escola formal de psicologia em Chicago sob a liderança de James Rowland Angell e Harvey Carr. Embora fosse professor de Filosofia, George Herbert Mead também realizou cursos e seminários sobre o método científico na Psicologia, com destaque para a psicologia da linguagem e a psicologia social, e estava intimamente ligado aos funcionalistas do Departamento de Psicologia da Universidade de Chicago. Angell e Carr publicaram compêndios em que se anunciaram as premissas básicas do novo funcionalismo e tentaram relacional suas conclusões experimentais em aprendizagem, percepção, pensamento, emoção, etc., com os seus pontos de vista teóricos. O outro núcleo funcionalista americano desenvolveu-se, simultaneamente, na Universidade de Colúmbia, onde já então se encontrava Dewey, vindo de Chicago, e James Cattell, muito interessado em diferenças individuais e psicologia aplicada. Os dois grandes destaques do funcionalismo de Colúmbia foram Edward L. Thorndike e Robert S. Woodworth. Thorndike foi um dos grandes psicólogos da educação experimental deste século e suas doutrinas dominaram por várias décadas a prática educacional e a psicologia da aprendizagem. Clasiificou-se a si próprio como "conexionista", pois queria provar como se desenvolvem as conexões entre estímulos e respostas. Woodworth foi levado pela sua orientação funcionalista a uma visão dinâmica que realça a importância da motivação para a compreensão do comportamento. Argumentou ainda que a contribuição do organismo deve ser levada em conta ao ser estudado o seu comportamento e inseriu o organismo na fórmula behaviorista E-R, reescrevendo-a como E-O-R. O funcionalismo foi um sistema psicológico indubitavelmente popular na América, onde acabou por suplantar o estruturalismo até então dominante. Psicólogos e estudantes de psicologia eram atraídos pelo sabor pragmático e prático das concepções estruturalistas e a escola teve tal êxito, de fato, que acabou sendo absorvida na corrente principal da psicologia americana. Hoje, a psicologia americana é fortemente funcionalista no espírito, embora seja behaviorista em sua metodologia. Assim, embora tenha desaparecido como escola autônoma, o "modo de ser "funcionalista sobreviveu no behaviorismo e é tão evidente em alguns psicólogos atuais que não seria demais considerá-los "neofuncionalistas", como John McGeoch, B. J. Underwood, A. W. Melton e A. L. Irion (no campo da aprendizagem), M. E. Bunch (processos de memorização), F. McKinney (aconselhamento psicológico) e H. N. Peters, entre outros. Na Europa, o funcionalismo nunca chegou a ser uma escola mas determinados conceitos funcionalistas foram aceitos por David Katz, Edgar Rubin, Egon Brunswick, Edouard Claparède, Jean Piaget e Albert Michotte, em suas perspectivas psicológicas pessoais.

Bibliografia:

Dicionário Técnico de Psicologia

Álvaro Cabral e Eva Nick

Editora: Cultix (13a edição)

 

(John Dewey)