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Psicologia

 

Miscelânea do psicólogo

Paulo Rogério da Motta

 

O mundo PSI do Euniverso


 


Behaviorismo

Esquemas de Reforçamento Intermitente

 

Para melhor compreensão deste tema fica a sugestão de se antes ler "O que é behaviorismo".

De acordo com WHALEY e MALOTT (1980, p. 106) “o termo reforçamento contínuo descreve um arranjo no qual a resposta é sempre seguida por um reforçador”, e “o termo reforçamento intermitente é usado para descrever uma situação em que o reforçador segue a resposta de maneira ocasional”. Assim quando o reforço é constante é chamado de “reforçamento contínuo”, e quando o reforço é ocasional é chamado de “reforçamento intermitente”.

Segundo REESE (1975, p.42) “o meio mais rápido de estabelecer um comportamento é reforçar toda ocorrência de resposta. [...] Uma vez condicionado, o comportamento é usualmente reforçado intermitentemente”. Assim o comportamento pode ser reforçado intermitentemente através de “esquemas”. Os “esquemas de reforçamento” são definidos por WHALEY e MALOTT (1980, p.106-107) como “o modo exato pelo qual a ocorrência do reforço é programada como conseqüência de um determinado número de respostas, ou de um certo tempo entre respostas, ou de qualquer outra característica temporal ou quantitativa das respostas”.

No Reforçamento Intermitente o reforço do comportamento é apresentado algumas vezes, após ocorrência do comportamento, ou seja, o reforço é apresentado de maneira ocasional e pode ser reforçado intermitentemente através de “esquemas diferentes”.

Estes “esquemas diferentes” que são determinados elas contingências (número de respostas emitidas e/ou passagem do tempo) de que depende o reforçamento são: intervalo fixo, intervalo variável, razão fixa e razão variável.

Os esquemas de intervalo que são esquemas de reforçamento temporais, ou seja, o fator comum destes esquemas de reforçamento é o “tempo”. Nos esquemas de intervalo o reforço depende da passagem do tempo, portanto, responder rapidamente não é reforçado diferencialmente,por isso os esquemas de intervalo apresentam baixa freqüência total de respostas.

O esquema de intervalo fixo, segundo REESE (1975, p.46) “caracteriza-se por uma pausa após o reforço e, a seguir, um aumento gradual na freqüência da resposta, até um nível alto no final do intervalo”. No programa de intervalo fixo, o reforço é empregado depois de um intervalo de tempo estabelecido sem levar em consideração o ritmo da resposta do organismo.

O esquema de intervalo variável, segundo REESE (1975, p.47) “mantém persistentemente o comportamento de responder em uma freqüência baixa”. No programa de intervalo variável, o reforço é empregado dentro de um certo período de tempo, porém variando os intervalos entre os reforços.

Os esquemas de razão reforçam diferencialmente a produção rápida de respostas, ou seja, assim que o sujeito responde é prontamente reforçado.

Segundo REESE (1975, p.44) “quando a razão é fixa, há uma pausa após o reforço, mas se a razão é variável, mantém-se uma alta freqüência de respostas”.  Conforme WHALEY e MALOTT (1980, p.131) “um esquema em razão fixa é um esquema de reforçamento intermitente, no qual o reforçamento ocorre após um número específico de respostas”. Além da alta freqüência de resposta, outra característica do reforçamento em razão fixa é uma pausa-após-reforço que surge depois da ocorrência do reforçador. No programa de razão fixa, o reforço é empregado após um número previamente estabelecido de respostas.

O esquema em razão variável é aquele no qual o reforçamento acontece depois de um número variável de respostas. O comportamento produzido através de um esquema de razão variável é semelhante ao produzido pelo esquema de razão fixa, porém, segundo WHALEY e MALOTT (1980, p.131) “os dois esquemas diferem, porém, pois em razão variável não se produz pausa-após-reforço”. No programa de razão variável, o reforço é empregado aleatoriamente (alguma razão média) em relação às respostas.

Os esquemas de razão e intervalo diferem na maneira como o desempenho é influenciado quando o reforço é diminuído ou interrompido.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BAUM, William M. (1999) Compreender o Behaviorismo Ciência, Comportamento e Cultura (M.T.A. Silva, M.A. Matos, G.Y. Tomanari, E.Z. Tourinho) Porto Alegre: Artmed. 290 p.

BOCK, A.M.B.; FURTADO, O.; TRASSI TEIXEIRA M.L. (2002) Psicologias Uma introdução ao estudo da psicologia 13.ed. São Paulo: Saraiva. p. 45-55

BOLTON, Lesley e WARWICK, Lynda L. (2005) O livro completo da Psicologia Explore a psique humana e entenda por que fazemos as coisas que fazemos. (M.M. Leal). São Paulo: Madras. 284 p.

CABRAL, Álvaro e NICK, Eva (2003) Dicionário Técnico de Psicologia. 13.ed. São Paulo: Cultrix. p. 40

CHAVES, Evenice Santos; GALVÃO, Olavo de Faria (2005) O behaviorismo radical e a interdisciplinaridade: possibilidade de uma nova síntese?  Psic. Reflex. Crit., Porto Alegre, v.18. n. 3, 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-79722005000300003eIng=pt&nrm=iso>. Acesso em 24 Set 2006. doi:10.1590/S0102-79722005000300003.

MYERS, David G. (1999) Introdução à Psicologia.  5ª ed. Rio de Janeiro: Editora LTC, 1999

REESE, Ellen P. (1975) Análise do Comportamento Humano.  2.ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1975. 160p.

SKINNER, Burrhus Frederic (2003) Ciência e comportamento humano.  11.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 489p.

SPERLING. Abraham P. (1999) Introdução à Psicologia.  São Paulo: Pioneira. p. 12

WHALEY, Donald L.; MALOTT, Richard W. (1980) Princípios elementares do comportamento.  São Paulo: EPU, 1980, 7ª reimpressão, 246 p.

 

 

John B. Watson

 

B. F. Skinner