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Uma pequena estória:
“Deus fala para uma pequena aldeia muito
religiosa:
- Como prova de amor a Mim, quero ao
final de trinta dias, a mais bela flor que
houver na aldeia e aquele que me trouxer a flor
será reconhecido a partir de então, como ‘aquele
que soube venerar a Deus’.
O líder religioso da pequena aldeia
lembra o povoado da flor lindíssima que nascia
uma vez por ano na encosta do penhasco a alguns
quilômetros dali e que esta era justamente a
época em que a flor nascia. O líder religioso
deduziu e falou ao povoado que Deus por certo se
referira àquela flor. A partir daí teve início a
busca pela flor preciosa: muitos desistiram pelo
perigo que havia, afinal, muitos já haviam
morrido naquele penhasco; outros insistiram e
novamente tentaram e também encontraram a morte
e assim foi no decorrer de vinte e nove dias,
até que, no trigésimo, o último dia do prazo
dado por Deus, o líder religioso heroicamente
conseguiu apanhar a flor. Houve festa na pequena
aldeia e o povo consagrou o líder religioso como
“aquele que sabe venerar a Deus” mesmo antes de
Deus declará-lo como tal. No final da tarde,
Deus, como havia dito, apareceu para o povoado:
- Hoje é o trigésimo dia, quem tem a mais
bela flor?
Todos na aldeia apontaram para o líder
religioso que tinha nas mãos a flor que apanhara
no penhasco. O líder religioso dirigiu-se a Deus
e entregou-lhe a flor.
- Aqui está, meu Senhor!
Deus apanhou a flor e disse:
- Realmente ela é muito bela e sei que
custou a vida de muitos. - Deus olhou para a
multidão e perguntou: - Mais ninguém tem uma
flor para me presentear?
Fez-se silêncio na aldeia até que um
menino saiu do meio da multidão com um pequeno
vaso nas mãos e dirigiu-se a Deus.
- Eu tenho meu Senhor!
O povoado riu quando o menino entregou um
vaso com uma pequena planta, que brotara há
apenas alguns dias e sem flor alguma. Deus
recebeu o vaso do menino, esperou todos acabarem
de rir, beijou a face do garoto e declarou a
todos:
- A partir de hoje, este menino será
reconhecido como “aquele que soube venerar a
Deus”.
O povoado não entendeu e em meio ao
burburinho surgiu o brado indignado do
inconformado líder religioso.
- Não pode ser Senhor! Neste vaso sequer
há uma flor e mesmo que houvesse, ela não seria
mais bela que a flor que eu lhe dei!
Deus voltou-se para o indignado líder
religioso:
- A flor que você me deu é realmente
muito bela e Eu sei disso, afinal, fui Eu quem a
plantei, e quanto ao vaso que este menino me
entregou, há muitas flores nele e vocês não
conseguem vê-las porque elas ainda não nasceram,
mas Eu consigo enxergá-las em cada semente e Eu
posso lhes garantir que as flores que nascerão,
e que então se tornarão visíveis aos seus olhos,
serão mais belas do que esta que você me deu; e
mais, as flores que estão neste vaso foram
regadas e tratadas durante os últimos trinta
dias com muito amor e com o intuito único de
serem um presente para Mim; este garoto em
nenhum momento buscou o título que acabou de
ganhar. Ele além “de ser merecedor ainda me
ajudou na tarefa de florir o mundo.”
“... porque o Senhor não vê como vê o homem.
O homem vê o exterior, porém o Senhor, o
coração”. |