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Sem horas nem eras

(Paulo Rogério da Motta)

 

 

 

 

Só um sujeito

Sujeito às leis do mundo

E à vontade das pessoas.

Um ser que sonha acordado.

Olho o relógio

E vejo os ponteiros vagando em seu círculo fechado.

Olho o meu mundo

E vejo o passado vagando nas paredes do meu quarto.

Ambos aniquilando o tempo.

Vivemos em círculos

Mesclando tudo e nada,

Fazendo cotidianos

E correndo de inimigos imaginários.

Quem sabe seja a hora?

Seja a hora de se ter coragem.

Quero o tempo.

Quero o tudo com gosto de pouco

E assim querer sempre mais.

Quero a vida sem horas nem eras,

Um jogo sem regras,

Uma estrada sem sinais,

Um caminho chamado eternidade

E que para se chegar na felicidade

Seja preciso apenas um simples

Tic-Tac.