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Ontem, hoje e ontem

(Paulo Rogério da Motta)

 

 

 

 

Como um dia que finda sem esperança,

Morre hoje sabendo que amanhã será apenas um ontem.

Um futuro que se transforma em lembrança.

Um ontem...

Um grito no horizonte

Que não chega a ouvido nenhum.

Um alguém que se esconde

Em lugar nenhum.

Uma semente enterrada no asfalto.

Um amanhã abortado.

Uma queda para o alto

Com um corpo no chão,

Estatelado,

Esfacelado em sua ilusão.

Somente a Deus

E obrigado.

Um corpo cansado

E sem leito.

Um novo grito no vácuo.

Um crime perfeito.

Um fim rápido.

Um...

Que não será dois.

Um “será”...

Que agora é “foi”.

Na ânsia da sede

Secou-se a fonte.

Viveu-se a eternidade

Até o ontem.

Somente lábios calados

Que dizem a Deus...

Adeus e...

Obrigado.