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Euniverso

(Paulo Rogério da Motta)

 

 

 

 

Se não tiro a chave da porta,

Não durmo.

Fico com medo de fugir

E sair correndo na noite

E eu correndo atrás de mim.

Se fujo,

Eu organizo uma revolta,

Perturbo.

Farei algazarra na janela do meu quarto de dormir

E me chamarei de dentro de casa

Para me unir ao motim.

Reunirei todos os meus "eus"

E sairemos em passeata

Fazendo balbúrdia na madrugada.

Só não me pergunto por que nem para onde,

Pois não sei.

Se me uni a mim

Vou me revoltar com quem ?

Por isso me tranco,

Fecho as portas do meu Euniverso.

Aprisiono o encanto

E arrumo inspiração para os meus versos.

Também escondo tudo que possa ser uma arma.

Tenho medo de me ferir.

Talvez tudo isso faça parte do meu carma:

Ser meu mestre e meu aprendiz.

Mas será que se aprende tudo sozinho ?

Será que se vive sem vizinho ?

Amanhã bem cedo

Colocarei anúncio no jornal,

Não darei preço,

Só o que pedirei é que não me façam mal.

Meu coração em liquidação.

Reforma agrária em mim.

Meu universo e sua revolução.

Minha solidão e seu fim.

Não poderei errar,

Por isso peço a Deus e rezo.

Amedronto-me com os outros,

Mas tenho mais medo de mim.

Errar seria fim.

Fim do meu Euniverso.