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Água da vida

(Paulo Rogério da Motta) 

 

 

 

 

A correnteza da vida me levou.

Alma ungida na água,

Mistura insolúvel de Sou e estou.

Óleo persona,

Self água.

Tempo que soma.

Vida estadia que o tempo subtrai.

Água que percorre,

Água que evapora,

Água que vira chuva

E cai.

Quem vive, morre

E não morre nunca no eterno agora.

Viver é como chuva

E quem nela sai,

Molha.

Lágrimas são chuva

Nos olhos de quem chora.

Água salgada feito mar.

Mareia

Na areia

E volta mar.

Onda que vem,

Bate,

Morre

E nunca deixa de ser mar.

Bolsa que rompe,

Despeja água;

Homem vem,

Bate,

Nasce.

Lágrimas da nova vida.

Chora,

Chove.

Viver é como chuva.

Chuva vira mar.

Quem nasce sabe

Que um dia

Morre

E não morre nunca no eterno dia.

Persona num copo cabe,

Vive em molde.

Alma com a força da vida

Evapora.

Vê tudo de cima:

Percebe que o copo é a sina

E a água a vida.

Vida que a correnteza levou

Carregando entulhos como sina.

Copos cheios de “estou”.

Lágrimas divinas que escorrem.

Alma ungida no choro.

Lágrima feito soro,

Salgada feito mar.

Nele muitos morrem,

Mas eternos como água

Hão sempre de voltar.