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Peregrino da madrugada

(Paulo Rogério da Motta)

 

 

 

 

Vago na fria madrugada

Tentando um encontro comigo mesmo.

Vou a extremos e procuro no tudo e no nada,

Sem perceber que me posiciono no meio.

 

Perambulo entre bêbados e marginais.

Converso com rameiras e vagabundas.

Desconhecem a mim e aos meus ideais.

São apenas figurantes no mundo.

 

O sol desponta no sul ou no norte?

Sempre confundo as direções.

Ignorância ou falta de sorte?

Sigo meus passos, minhas reflexões.

 

Passo pela prostituta e lhe dou uma gorjeta.

Recuso o seu leito

E me deito na sarjeta.

Durmo ninado pelas batidas em meu peito.

 

Que jeito? Que modo de se viver?

Desperto com o sereno em meu rosto.

Levanto e sigo sereno no meu sofrer.

Alimenta-me de esperança para tirar o gosto amargo do desgosto.

 

Sinto que a busca foi vã...

Mais uma página em brando, de nada.

Insucesso como escritor da manhã.

Sucesso como peregrino na madrugada.