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Socialização

A socialização é o processo pelo qual o indivíduo internaliza o coletivo, ou seja, através da socialização é que as idéias e valores estabelecidos pelo coletivo passam o constituir o indivíduo e pela apreensão destas é que ele adapta-se aos grupos que faz parte. A socialização é um processo dinâmico e é ferramenta de formação da personalidade e por sua vez o indivíduo também passa a ser ferramenta de manutenção e transformação da socialização, pois quem é o socializado é também um que socializa, e tal interação e integração estará sempre presente, pois enquanto houver relação humana haverá socialização. Esta relação com o seu meio resulta no desenvolvimento do potencial do indivíduo, dando a este um papel social a exercer e que para ser exercido cria nele expectativas (funcionando como motivações) e determinando a reciprocidade nas relações onde o papel exercido por um tem como referência o outro e o outro passa a ter que corresponder para equilibrar a equação social. Exemplo: quando alguém presta-nos um serviço esperamos que ele seja bem feito para justificar o pagamento ao outro e este por sua vez para exercer o seu serviço precisará de ferramentas fabricadas por outro que para fechar o ciclo deste exemplo poderia ser até a pessoa para quem ele presta o seu serviço. Total interação e integração. Os papéis sociais são partes de um todo chamada sociedade e tanto o indivíduo que exerce o papel social quanto a sociedade só têm razão de existir através da socialização. Não há como separar uma parte deste todo e este conseguir ter razão de existir individualmente (haveriam médicos se não houvessem pacientes ou para que construiríamos estradas se não houvesse quem fabricasse automóveis?). Desta forma, tudo que venha a estar relacionado com a realidade decorrente das relações sociais é um fenômeno social e tudo e todos que fizerem parte destas relações sociais são agentes da socialização (famílias, escolas, empresas, meios de comunicação, etc.).

O indivíduo precisa e depende da sociedade e esta só existe em razão dos indivíduos, e nesta relação surgem as regras e normas como meios de coerção social para manter o equilíbrio desta relação, e estas afetam o indivíduo que passa a ter uma liberdade condicionada, e ele ora as atende e ora as transgride, gerando conflitos com o seu meio por este não exercer satisfatoriamente o seu papel social. O homem tem a sua identidade e liberdade, porém estas estão condicionadas ao meio em que vive que é uma estruturação social. Sendo assim a socialização é uma ferramenta de interação entre a sociedade e o indivíduo e a primeira molda a personalidade do segundo e é também um agente condicionador do comportamento do indivíduo e estando inserido neste contexto qualquer ação do indivíduo em seu meio é a realização da socialização.

A socialização é a transmissora da cultura e a transmissão se dá através da educação, e que aqui se entenda qualquer forma de aprendizado passado de um indivíduo a outro, e por esse processo de aculturação acontece a endoculturação do ser social. Por esta definição podemos concluir que toda e qualquer apreensão que o indivíduo “toma” para si é resultado da socialização e desde o seu nascimento (e até antes, pois para o seu nascimento teve antes que existir diversas relações: pai e mãe, mãe e médico, etc.) até à sua morte (e mesmo depois, pois o ritual fúnebre é um fenômeno social) ele será objeto da socialização. Seja na escola, na empresa, na família, com os amigos, com os inimigos, nos cultos religiosos, nos momentos de lazer, ao comprar algo, ao ler um livro, ao imitar alguém, ao assistir tv, ao ir ao médico ou espetáculo cultural e até quando estiver olhando para um quadro para descansar do “contato” com as pessoas, em qualquer destes momentos e em infinitos outros, estará acontecendo a “socialização”.

Socialização: sem ela nada seríamos e sem nós ela não existiria. Tolice procurar “descobrir” quem é mais importante e se um lado deve prevalecer, seria como separar a raiz do resto de uma árvore: se somente um prevalecer os dois morrerão porque, na verdade, não existem dois, e sim, apenas um.

Um último exemplo de socialização: este momento. E seja qual momento for: pode ser o momento em que escrevo este texto, pode ser o momento em que você lê este texto. Nos dois há a socialização. Em ambos os momentos há pelo menos um alguém transmitindo algo a outro alguém, ambos inseridos num mesmo contexto, mesmo que momentâneo ou em trechos de tempo diferentes, ambos exercendo papéis sociais, ambos com propósitos, mesmo que diferentes, e isto “é socialização”.

(Paulo Rogério da Motta)