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Eunivers

Em cada um... um universo

 


 


Capitalismo, perda de identidade e crise espiritual 

 

 

A sociedade capitalista pós-guerra dos países desenvolvidos gerou uma revolução passiva baseada em estruturas e relações sociais de dominação onde o processo de acumulação de capitais coloca em extremos sociais a burguesia e o proletariado. Essa revolução passiva caracteriza-se pela evolução do capitalismo individualista para o planificado, pela generalização do assalariado e pela forte expansão do estado, cabendo a este o papel de mediador entre capital e trabalho tornando-se assim sujeito econômico e sujeito socializante. Este Estado-Providência assume funções de reprodução da força de trabalho (educação, saúde, etc.) e também de agente de equidade social promovendo a produção e consumo de bens característica do sistema capitalista. Como conseqüências deste processo temos a melhoria das condições materiais das classes trabalhadoras e uma maior equidade social, porém também tivemos o enfraquecimento da classe trabalhadora como sujeito político, a substituição da solidariedade espontânea pela mecânica emanada do estado e o esvaziamento do exercício da cidadania, pois a voz antes coletiva da classe trabalhadora passou a operar via Estado, fazendo do indivíduo apenas uma unidade básica de destinação e oferta de seus serviços. O cidadão perde seu significado e expressão, ao passo que o Estado passa em razão da burocracia a ter um custo elevado e tendências autoritárias. O indivíduo é massificado e alienado e acaba vivendo um individualismo exacerbado e generalizado e, em conseqüência, tem uma falsa consciência da vida, sendo vítima da angústia e desejo de uma vida diferente. Neste contexto o Estado e a economia capitalista fundamentam-se no saber científico e em produtos de consumos. O indivíduo aliena-se e vê seu cotidiano sufocado. O trabalho passa a ser apenas uma atividade de produção carecendo de realização do indivíduo e fazendo com que aquele que esteja empregado seja um privilegiado e aquele que está desempregado um marginal. O cotidiano torna-se medíocre, no indivíduo há um grande vazio e os agentes mandantes dominam as decisões políticas, econômicas, culturais, existenciais e espirituais. O indivíduo alienado não tem consciência para buscar a mudança do quadro que vive repleto de cisões entre o material e o espiritual, do indivíduo e do cidadão e outras. A privacidade passa a ser valorosa, pois nela é capaz de encontrar a profundidade da sua insatisfação e também por encontrar um espaço para si, já que até os espaços livres passaram a ser espaços públicos, e assim controlados para a sua utilização. Houve também a quebra de um pacto de complementaridade, pois o direito à diferença ao invés de complementar fez com que as pessoas se afastassem e se tornassem intolerantes com o diferente e que também valorizassem a liberdade individual em detrimento ao que é coletivo. Além de fragilizar-se por ter no Estado o provedor da segurança e bem-estar, o cidadão ao tornar-se usuário do estado conquistou direitos sociais, mas perdeu sua condição de sujeito político e até o sagrado e espiritual passa a ter relação com as forças produtivas e a  religiosidade passa a ser vazia.

O espiritual é possivelmente a única força capaz de motivar o surgimento de valores de expressão e expansão do indivíduo, para que este então busque transformações que lhe permitam viver dentro da “totalidade do seu ser”. Por isso, descubra, desvende, explore e faça existir e valer o seu "euniverso".

Paulo Rogério da Motta