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Estamos sentados juntos num teatro
assistindo a um espetáculo. Nossos rostos, iluminados pelo
reflexo das luzes do palco, convergem para o retângulo do
proscênio: olhamos e escutamos. Há silêncio e calma na sala;
no palco, vozes e movimento. Somos uma platéia de
espectadores: escutamos e olhamos as palavras e as ações que
os atores dizem e realizam para nós.
Os corpos estão em repouso, as
mentes estão ativas. Há em nós atenção e expectativa. Uma
atenção feita de expectativa. A atenção refreia o tempo
cênico e examina cada instante, a expectativa aumenta sua
velocidade: uma tensão conflitante entre dois desejos
antagônicos caracteriza nossa condição interior. O tempo
teatral é isso.
O presente atrai avidamente para
si o futuro cênico e o futuro, atraído, faz recuar para o
passado o presente que o atrai, tornando-se por sua vez
presente. Mas logo o novo presente atrai o presente
transcorrido e, confrontando seus dados com as informações
recentes de que é portador, projeta a expectativa para o
novo futuro. A atenção que nos une aos outros espectadores
consiste nesse constante fluxo e refluxo mental.
Viemos de circunstâncias
diferentes, portadores de subjetividades próprias. Mas
agora, aqui, conhecidos ou desconhecidos, o que é que nos
une? Talvez algo que na nomenclatura sentimental se chama a
"magia do teatro"?
O Teatro, em suma |