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Humanizar
é preciso

O que você pode dizer sobre “humanização”?
É o ato de humanizar de acordo com o Magno Dicionário
Brasileiro da Língua Portuguesa
Então, o que é humanizar?
De acordo com o mesmo dicionário é: (v.t.dir.) o mesmo que
humanar; tornar conforme a natureza humana.
E
por que humanizar é preciso?
Porque o homem sempre está buscando o desenvolvimento e o
nosso mundo atual movido pelo capitalismo e pelo consumismo
busca o desenvolvimento material. Tendo o “ter” como
paradigma para se viver, o homem foi culturalmente
desvalorizando aspectos que o fazem humano e, assim,
singular diante de todas as outras espécies. A valorização
da intelectualidade gerou o racionalismo e a razão passou a
ser algo maior do que a sabedoria. A busca incessante do
“ter” fez do homem um acumulador de coisas nas suas mais
diversas formas: informações, objetos, status, etc.; e a sua
essência foi relegada em troca de rótulos sociais. A atitude
de competir e consumir desvirtuou o significado das coisas e
“ser forte” passou a ser incompatível com “ser sensível”. A
criatividade passou a ser o talento para conseguir poder e
bens materiais e não mais a busca da “beleza”. Hoje
produzimos em larga escala roupas, alimentos, carros,
combustíveis, máquinas. Orgulhamo-nos da tecnologia, da
moda, da riqueza acumulada. Idealizamos diplomas, papeis
sociais e quantidades, pois quem mais “tem” é visto como
quem mais “é”. Negligencia-se o “ser” na tarefa impossível
de “ter o tanto que faça alguém feliz”. A ordem dos fatores
aqui altera o seu produto, pois se o “ter” for o
multiplicador o produto será sempre um valor negativo e que
promoverá a necessidade interminável de multiplicar o tempo
todo e o tempo de uma vida não será suficiente para se
chegar ao produto almejado.
Diante de tudo isso podemos começar a responder “por que
humanizar-se” é essencial.
Não basta ao homem simplesmente existir e estar aqui como os
minerais. Não basta ao homem ter luz e chuva como os
vegetais. Não basta ao homem ter alimento, reproduzir-se e
sobreviver como os animais. O homem necessita de tudo isso e
muito mais, e “muito mais” mesmo. A confusa busca atual do
homem pelo “ter” nada mais é, além da necessidade de
sobreviver, uma busca de seus valores intrínsecos, internos,
humanos. A dicotomia “prazer e desprazer” acaba por ser a
motivação da vida humana, porém a motivação quando buscada
de maneira mais profunda acabará por nos revelar que a busca
do homem é por um valor totalmente abstrato: a felicidade, e
esta não tem como consumar-se com o que é concreto. Podemos
com o “ter” obtermos o prazer que, por seu efeito temporário
e transitório, se dispersará diante de outros acontecimentos
da vida e, então, teremos que novamente sair em busca de
mais e maiores prazeres para sufocar a necessidade de
felicidade do ser humano.
Por que humanizar-se?
Porque é o único caminho que nos leva a nós mesmos e ao que
é realmente importante ao ser humano. A felicidade é um
caminho e não um objeto a ser comprado e a real felicidade é
sentir-se feliz consigo mesmo e não por termos algo, bolsos
cheios, fotos em jornais, objetos caros ou qualquer coisa
que de tão concreta e complexa não caiba no tamanho exato da
simplicidade da felicidade.
Abrir mão da busca do “ter”?
Não, não é preciso abrir mão dessa busca. Apenas não sufocar
o nosso “ser” em detrimento desta busca do “ter” é
suficiente.
Por que humanizar-se?
Talvez a melhor resposta seja “porque somos humanos” e “ser
humano” é a nossa maior conquista e o nosso maior bem.
Paulo Rogério da Motta
"Na
arte de viver, o homem é ao mesmo tempo o artista e o objeto
de sua arte, é o escultor e o mármore, o médico e o
paciente". (Erich Fromm) |