|
A mente
oculta das plantas
A ciência descobre o
surpreendente domínio da consciência vegetal
Por José Tadeu Arantes
jtadeu@edglobo.com.br

As plantas são capazes de
perceber agressões à vida praticadas do outro lado da parede. E parecem ter
consciência até mesmo de intenções ocultas na mente humana. Essa fantástica
revelação — que foi tema do livro A Vida Secreta das Plantas, de Peter Tompkins
e Christopher Bird, e inspirou o álbum de mesmo nome
do compositor e cantor Steve Wonder — vem sendo confirmada por pesquisas
científicas realizadas no Brasil. Ela faz parte de um conjunto de descobertas
que deverá revolucionar a visão de mundo do próximo século e apontam para um
relacionamento mais harmonioso entre o homem e a natureza.
Os xamãs — homens de
conhecimento das comunidades pré-históricas — já sabiam que, por trás de seu
aparente torpor, as plantas possuem uma vida secreta, cheia
de percepções e atividades. Esse mundo oculto
foi contactado, desde então, por visionários de diferentes épocas e lugares,
como o místico alemão Jacob Boehme (1575-1624), que dizia ser capaz de penetrar
a consciência das plantas.
A ciência materialista, porém,
preferiu descartar esse tema, que desafiava sua limitada descrição da realidade.
Ele co ntinuaria provavelmente ignorado se, em 1966, uma descoberta casual não
tivesse rompido essa conspiração de silêncio. Naquele ano, Cleve Backster, então
o maior especialista americano em detecção de mentiras, teve a estranha idéia de
fixar os eletrodos de um de seus detectores numa folha de dracena, espécie
tropical utilizada como planta ornamental.
Ele foi movido pela simples
curiosidade, mas o que encontrou abalaria os fundamentos da visão de mundo
dominante. Backster suspeitava que a planta reagisse a agressões reais à sua
integridade física. Mas não podia imaginar que a simples idéia dessas agressões
provocasse saltos violentos nos gráficos traçados pelo aparelho. Pois foi
exatamente o que aconteceu quando ele pensou em queimar uma das folhas da
dracena.
E voltou a acontecer quando se
aproximou dela com uma caixa de fósforos, disposto a levar sua intenção à
prática. A planta parecia ler o seu pensamento e sabia distinguir as ameaças
reais da mera simulação.
Sem querer, Backster abrira a
porta que dava entrada a uma realidade totalmente inesperada — e desconcertante.
A grande novidade do
experimento foi ter propiciado um acesso direto às percepções das plantas sem a
intermediação de sensitivos humanos: não era preciso ser paranormal para
contactar o mundo da consciência vegetal. Esse ponto de vista foi reforçado, em
julho último, por uma pesquisa feita na Universidade de Gant, na Bélgica.
Valendo-se de imagens em
infravermelho, o pesquisador Dominique van der Straeten e
sua equipe descobriram que as folhas de tabaco têm a capacidade de reagir
com uma espécie de febre quando infectadas por certos tipos de vírus. Como
relatado no jornal Nature Biotechnology, as folhas sofreram um aumento de
temperatura de até 0,4 grau Celsius, oito horas antes dos efeitos dos vírus se
manifestarem, num processo "fisiológico" semelhante ao do corpo humano.
Percepção
básica
Atento a tais descobertas,
um brasileiro resolveu fazer uma investigação parecida. Trata-se do engenheiro
Arlindo Tondin, mestre em eletrônica pela Universidade de Nova York e um dos
fundadores da Faculdade de Engenharia Industrial, de São Bernardo do Campo, SP.
Tondin fixou
eletrodos próximo à raiz e num dos galhos de um
limoeiro. "Verifiquei que havia, entre os dois pontos, uma diferença de
potencial elétrico da ordem de microvolts", informa. "Eu já desconfiava que a
ascensão da seiva estivesse associada a um fenômeno elétrico e, para confirmar
isso, liguei aos eletrodos uma pilha de 1,5 volt, de modo a intensificar a
corrente na região. Resultado: os frutos do galho onde estava o eletrodo ficaram
maiores e amadureceram mais rápido que os demais."
Estava provada a tese da
seiva. O próximo passo era averiguar como as agressões externas afetavam a
corrente elétrica que circula na planta. Para isso, o engenheiro utilizou um
osciloscópio de raios catódicos de alta sensibilidade. "Conectei o osciloscópio
aos eletrodos e, com uma vela, comecei a queimar algumas folhas. A resposta foi
quase imediata: a imagem da tela do osciloscópio, que estava estacionária,
passou a apresentar intensas variações." Tondin
espantou-se com a reação provocada por seu ato. "Comecei a questionar até que
ponto eu tinha o direito de agredir o vegetal e a natureza. E resolvi
interromper a pesquisa."
O engenheiro convenceu-se da
seriedade dos experimentos descritos em A Vida Secreta das Plantas. Num deles,
também realizado por Backster, três plantas reagem à matança de camarões,
cometida numa outra sala. Essa investigação foi conduzida com os cuida dos que
caracterizam as melhores pesquisas científicas:
-
foram
escolhidos, como vítimas, animais de grande vitalidade, pois já tinha sido
notado que seres doentes ou a caminho da morte não eram capazes de estimular
as plantas a distância;
-
para
evitar que a subjetividade dos pesquisadores influísse nos resultados, os
camarões eram despejados numa vasilha de água fervente por um mecanismo
automático, longe das vistas de qualquer ser humano;
-
eliminaram-se
as possibilidades de que o próprio funcionamento do mecanismo ou eventuais
perturbações eletromagnéticas afetassem a forma dos gráficos;
-
as
plantas, monitoradas por detectores, foram colocadas em três salas diferentes,
submetidas às mesmas condições de temperatura e iluminação.
A análise dos gráficos mostrou
que as plantas reagiam intensa e sincronizadamente à morte dos camarões — numa
proporção que excluía qualquer hipótese de uma flutuação puramente casual das
variáveis elétricas. Backster sentiu-se respaldado para formular a tese de que
os vegetais, como todo organismo vivo, dispõem de uma percepção primária que
lhes permite detectar, a distância, qualquer agressão
à vida.
|
|
Apesar de sua aparência
simples, as plantas são organismos altamente complexos. Uma planta
pequena, como o pé de centeio, possui nada menos que 13 milhões de
radículas em sua raiz. Estas são formadas, por sua vez, de 14 bilhões de
filamentos, que, se fossem enfileirados um após o outro, cobririam uma
extensão de 11 mil quilômetros, quase a
distância de um pólo a outro.
Toda planta é dotada de
uma malha elétrica em equilíbrio. Nas árvores, a corrente elétrica sobe
pelo anel externo e desce pelo anel central. Como demonstrou a pesquisa do
brasileiro Arlindo Tondin, essa corrente está associada ao fluxo da seiva.
|
Os corpos
sutis
Se, no homem, essa percepção
básica nem sempre parece ocorrer, isso se deve ao filtro dos cinco sentidos, à
força do pensamento racional, que obscurece as demais funções psíquicas, e a
todo um condicionamento cultural, que determina o que
deve ou não deve ser percebido. Como provaram outros experimentos, essa
percepção a distância não é bloqueada por dispositivos de blindagem elétrica,
como a gaiola de Faraday, nem por paredes de chumbo.
E Backster chegou a cogitar
que ela não se limitaria aos organismos complexos, mas poderia descer aos níveis
celular, molecular, atômico e até mesmo subatômico, perpassando toda a
existência. Essa opinião ousada apresenta fortes afinidades com a hipótese da
ressonância mórfica, do biólogo inglês Rupert Sheldrake, e com as
revolucionárias descobertas sobre a consciência do psiquiatra checo Stanislav
Grof (leia as reportagens "Ressonância
mórfica: a teoria do centésimo macaco" e "Consciência
sem limites", em Galileu, números 91 e 94, respectivamente).
Em outras palavras, cada
planta — para não dizer cada ente material — estaria associada a um invisível e
impalpável campo de consciência. Tal idéia, que vem ganhando adeptos entre os
cientistas de vanguarda, converge com a visão de todas as grandes tradições
espirituais da humanidade. Estas são unânimes em considerar a consciência como
um dado primário da existência e afirmam que, além de seus corpos físicos, os
entes materiais são constituídos por uma série de "corpos sutis", encaixados uns
dentro dos outros como bonecas russas.
As percepções descobertas por
Backster e seus sucessores configurariam um esboço ou embrião daquilo que
algumas tradições chamam de "corpo mental". Entre esse nível mais alto e o
físico, as plantas, como todos os seres vivos, possuiriam um
corpo intermediário, constituído pela rede de canais por onde flui a
chamada "energia vital" (que corresponde ao prana dos indianos e ao qi dos
chineses). Esse "corpo vital" é o objeto de práticas médicas como a acupuntura,
que se destinam a desobstruir os canais e regularizar o fluxo da energia.
Vantagem
econômica
A acupuntura em plantas vem sendo praticada com sucesso pelo médico Evaldo
Martins Leite, presidente da Associação Brasileira de Acupuntura. Ele orientou,
há cinco anos, uma pesquisa científica rigorosa, realizada pelo biólogo
Alexandre Eustáquio de Sena, na Pontifícia Universidade Católica de Belo
Horizonte, MG. Sena dividiu uma plantação de feijão em duas partes iguais,
tratando uma com acupuntura e mantendo a outra como grupo de controle. As
plantas submetidas à acupuntura desenvolveram maior número de vagens, maior
quantidade de grãos em cada vagem e maior peso por grão.
"Como ocorre nos homens e
animais, os problemas de saúde que afetam os vegetais decorrem de
um perturbação na circulação e distribuição do qi, a
energia vital", explica Evaldo Martins Leite. "Isso resulta de um desequilíbrio
dos princípios yang e yin (masculino e feminino)." O
acupunturista ensina que as áreas de ramificação das plantas — isto é, onde os
galhos saem dos troncos ou os ramos saem dos galhos — são regiões de
concentração de qi.
Os ângulos externos formados
nesses lugares são yang e os internos, yin. "A energia yang é responsável pelo
crescimento da planta. A yin, pela produção de flores, frutos e sementes. A
introdução de pregos, agulhas ou a simples raspagem das áreas correspondentes
estimula um ou outro princípio e promove a função regida por ele", informa o
acupunturista. Não é possível ativar as duas funções ao mesmo tempo.
A energia é uma só: se ela for
desviada para o crescimento, a produção de frutos cairá, e vice-versa. Mas as
vantagens — inclusive econômicas — oferecidas pela acupuntura em vegetais são
importantes demais para serem tratadas como simples curiosidade.
Na Bahia, está em curso uma
pesquisa visando aumentar a produção de látex nas seringueiras e o enraizamento
dos toletes de cana-de-açúcar destinados ao plantio. Reconhecendo as dimensões
sutis do mundo vegetal, o homem poderá estabelecer com ele um novo tipo de
relacionamento, vantajoso para ambos.
Para
ler:
A Vida Secreta das
Plantas, de Peter Tompkins e Christopher Bird, Ed. Expressão e
Cultura-Exped, Rio de Janeiro (0XX21) 532-5930
Fonte:
http://galileu.globo.com/edic/98/conhecimento5.htm
|
Rádio Viagem ao Euniverso
|